O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, para investigar 42 casos de eventos adversos raros registrados após a vacinação.
Segundo a pasta, os casos representam 0,008% das cerca de 500 mil doses aplicadas até o fim de maio. Entre os registros, houve três ocorrências de dengue grave entre 5 e 19 dias após a imunização, incluindo duas mortes, de uma mulher de 48 anos e de um homem de 58 anos.
O ministério ressalta que não há comprovação de que os óbitos tenham sido causados pela vacina, mas considera os episódios um sinal de alerta que exige investigação detalhada.
O que será investigado
As autoridades vão analisar:
- Histórico clínico dos pacientes
- Doenças preexistentes
- Fatores de risco individuais
- Possíveis causas alternativas
- Eventuais desvios de qualidade
- Possíveis erros de imunização
Os casos ocorreram entre profissionais da saúde da atenção primária, grupo que recebeu as primeiras doses a partir de janeiro. Não foram identificados eventos graves relevantes nos municípios onde a vacinação foi ampliada para a população.
Vacina apresentou bons resultados nos testes
A aprovação da Anvisa foi baseada em estudos com mais de 11 mil voluntários acompanhados por cinco anos.
Os resultados apontaram:
- 65% de eficácia geral contra a dengue
- 80,5% de eficácia contra casos graves
Durante os testes, os efeitos colaterais mais comuns foram dor e vermelhidão no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga, geralmente de forma leve ou moderada.
Orientação para quem já recebeu a dose
O Ministério da Saúde recomenda atenção aos sintomas nos 21 dias após a vacinação. Em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva ou sinais de desidratação, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Dengue segue em queda no país
Apesar da suspensão da Butantan-DV, a vacina Qdenga, fabricada pela farmacêutica japonesa Takeda, continua sendo aplicada normalmente pelo SUS.
De janeiro a maio deste ano, o Brasil registrou redução de 97% nas mortes por dengue e de 94% nos casos prováveis em comparação com o mesmo período de 2024, resultado atribuído principalmente ao avanço da vacinação e das ações de combate à doença.
Mesmo com a melhora dos indicadores, a dengue continua sendo a principal endemia do país. Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis e 6.321 mortes, números recordes relacionados à doença.
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