As entidades representativas dos produtores de tabaco do Sul do Brasil cobraram das empresas fumageiras melhorias na comercialização da atual safra, durante reuniões realizadas nos dias 15 e 16 de junho no âmbito das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs).
Os encontros ocorreram de forma individual com cada empresa e tiveram como principal pauta as dificuldades enfrentadas pelos produtores na venda do tabaco. Segundo a comissão representativa, a comercialização da safra vem apresentando queda nos preços e agravamento das condições de compra, cenário que tem gerado preocupação no setor.
Entre os principais questionamentos esteve a classificação do tabaco. As entidades relataram que, em muitos casos, o produto estaria sendo adquirido por média, e não por classe, conforme sua qualidade. Para os produtores, essa prática prejudica quem investe na correta separação das folhas e na produção de tabaco de melhor padrão.
Outro tema levado às fumageiras foi a reclamação de agricultores que desejam comercializar a produção, mas enfrentam dificuldades pela falta de cargas disponíveis para entrega. As entidades também cobraram o cumprimento dos contratos e das estimativas de produção previstas no sistema integrado.
Em resposta, as empresas atribuíram o atual cenário a fatores como a expectativa de mais uma safra volumosa, o aumento da produção em países concorrentes, como Zimbábue e na Oceania, a produção fora do sistema integrado e a desvalorização do dólar, que impacta a competitividade do tabaco brasileiro no mercado internacional.
Apesar das justificativas, todas as empresas garantiram que irão adquirir 100% do tabaco contratado junto aos produtores integrados.
As entidades também defenderam que eventuais reajustes de preços ocorram durante o período de comercialização. Segundo a representação, na safra passada as principais valorizações aconteceram apenas no fim das compras, beneficiando um número reduzido de agricultores.
Outro assunto debatido foi o cumprimento do calendário de plantio, considerado fundamental para evitar excessos de produção e dificuldades futuras de mercado.
Ao final das reuniões, algumas empresas informaram que o pacote de insumos da próxima safra poderá ter custo inferior ao atual. Ainda assim, as entidades reforçaram que a prioridade permanece sendo a valorização do tabaco já produzido, especialmente pelos agricultores que seguem as regras do sistema integrado e investem na qualidade da produção.
A comissão representativa dos produtores é composta pela Afubra, pelas Federações da Agricultura (Farsul, Faesc e Faep) e pelas Federações dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
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