Rio Pardo se despede nesta sexta-feira (28) de uma mulher que ajudou a escrever parte da história da educação do município. Aos 81 anos, faleceu a professora Ivoni Souza Pinheiro, no Hospital Regional de Rio Pardo.
Mais do que uma professora, Ivoni foi, para milhares de rio-pardenses, a pessoa que apresentou um dos maiores presentes que alguém pode receber: a capacidade de ler e escrever.
Alfabetizadora, construiu grande parte de sua trajetória pedagógica no Instituto Estadual de Educação Ernesto Alves, a maior escola pública de Rio Pardo. Mas sua história com a educação não ficou restrita à tradicional instituição.
Ivoni também levou seu conhecimento para diferentes comunidades e escolas. Lecionou na Barragem, no interior de Rio Pardo, e nas escolas Fortaleza, Aparecida e Vila Progresso. Também deu aulas particulares, ajudando crianças e jovens que buscavam nela um reforço para seguir aprendendo.
Sua trajetória como educadora também ultrapassou os limites de Rio Pardo. Em Pantano Grande, lecionou na Escola Pedro Nunes, ampliando ainda mais o número de alunos que tiveram contato com seu trabalho.
E quem passou por suas mãos provavelmente guarda na memória alguma das primeiras palavras aprendidas com a professora Ivoni.
“A aia ia, ia.”
Uma frase simples, quase singela, mas que para muitos alunos representou uma conquista enorme: o momento em que as letras começaram a fazer sentido, quando o que antes era apenas um conjunto de sinais passou a formar palavras — e as palavras começaram a contar histórias.
É difícil dimensionar quantas pessoas tiveram a vida transformada por aquele trabalho silencioso e diário de uma alfabetizadora. São milhares de alunos que, décadas depois, carregam consigo aquilo que aprenderam nas primeiras linhas, nas primeiras leituras e nas primeiras tentativas de escrever.
Uma vida dedicada à educação
Ivoni se aposentou em 1991. Mas, para quem tinha a educação como vocação, a aposentadoria não significou parar.
Ela continuou lecionando por convocação até 2016, mantendo durante décadas a ligação com aquilo que havia escolhido fazer da vida: ensinar.
Foram muitos anos entre cadernos, lápis, cartilhas, quadros-negros e, principalmente, crianças descobrindo o fascinante mundo das palavras.
Na vida pessoal, também construiu uma longa história ao lado de Gastão. Os dois se casaram em 1969 e permaneceram juntos por 57 anos, formando uma família que hoje se despede de Ivoni com a dor da perda e, ao mesmo tempo, com o orgulho de sua trajetória.
Um legado que permanece
O legado de Ivoni ultrapassa os muros das escolas onde trabalhou.
Está nos alunos que seguiram seus estudos, nas profissões que escolheram, nos livros que leram, nas histórias que escreveram e, principalmente, na possibilidade que tiveram de compreender o mundo através das palavras.
Uma professora que ensinou a ler e escrever também ajudou a ensinar a sonhar.
Ivoni deixa enlutados o esposo Gastão, as filhas Vanessa e Claudia, os genros Giancarlo e Filipe, os netos Marina, João Carlos e Ravi, além de demais familiares, amigos, ex-alunos e tantas pessoas que tiveram a oportunidade de compartilhar sua caminhada.
Despedida
Conforme comunicado pela Funerária Petry, as cerimônias de despedida serão realizadas nesta sexta-feira (28), na Sala de Homenagens 01, com início previsto para as 16h30.
O féretro partirá às 23h30, com destino ao Crematório Regional Memorial Kist, em Venâncio Aires.
Rio Pardo perde uma professora.
Mas milhares de pessoas levam consigo aquilo que ela ajudou a construir.
Porque algumas pessoas passam pela vida ensinando conteúdos.
Outras ensinam aquilo que nunca mais se esquece.
Ivoni Pinheiro ensinou as primeiras palavras.
E, para muita gente, foi ali que começou uma história inteira.
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