Safra de tabaco fecha com queda de 1,3% no Sul
Produção chegou a 710,2 mil toneladas; Rio Grande do Sul teve redução de 5,5%
A safra de tabaco 2025/2026 nos três estados do Sul do Brasil terminou com 710.229 toneladas produzidas, uma redução de 1,3% em relação às 719.891 toneladas registradas no ciclo anterior. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (26) pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).
O levantamento considera os três principais tipos cultivados na região: Virgínia, Burley e Comum. O Virgínia respondeu por cerca de 90% da produção, com 639.471 toneladas, queda de 1,3%. O Burley somou 60.089 toneladas, alta de 0,8%, enquanto o Comum teve 10.669 toneladas, redução de 11,6%.
A área cultivada também apresentou pequena redução, passando de 309.982 para 308.932 hectares. O número de famílias produtoras caiu de 138.020 para 135.972, enquanto o número de estufas passou de 160.912 para 160.157. A produtividade média ficou em 2.299 quilos por hectare, 1% abaixo da safra anterior.
Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul encerrou o ciclo com 286.603 toneladas, queda de 5,5% em relação à safra anterior. O Estado respondeu por 40,4% de toda a produção sul-brasileira.
Foram cultivados 132.076 hectares, aumento de 0,2%. Já o número de famílias produtoras caiu 2,1%, para 67.815. A produtividade média recuou 5,7%, passando de 2.302 para 2.170 kg/ha.
Santa Catarina produziu 223.643 toneladas, redução de 1,1%, com 40.656 famílias produtoras. O Estado representou 31,5% da produção regional.
Já o Paraná foi o único dos três estados a registrar crescimento. A produção chegou a 199.983 toneladas, alta de 5,1%, com 27.501 famílias produtoras. A produtividade avançou 5,3%, para 2.385 kg/ha.
Clima afetou lavouras
Segundo a Afubra, o comportamento da safra foi diferente entre as regiões produtoras. Enquanto algumas áreas tiveram bom desenvolvimento das lavouras e condições favoráveis de chuva, outras foram afetadas por frio prolongado, geadas, excesso de umidade, ventos, chuvas intensas, granizo e períodos de estiagem.
O presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, destaca que as condições não foram iguais para todos os produtores.
A qualidade do tabaco também variou de acordo com a posição da folha e o período de colheita. Em algumas regiões, folhas do baixo pé apresentaram maior incidência de folhas verdes, escuras ou de menor valor comercial. Já folhas do meio pé e da ponteira, colhidas no momento adequado, apresentaram melhor qualidade.
Comercialização foi mais difícil
A comercialização da safra ocorreu de forma mais desafiadora em comparação com o ciclo anterior. Os produtos de melhor qualidade tiveram maior aceitação, enquanto tabacos finos, manchados, verdes, escuros ou com menor definição de classe enfrentaram mais dificuldades.
Também houve relatos de insatisfação dos produtores com preços e critérios de classificação, além de cancelamentos de cargas, devoluções e retenção de parte da produção nas propriedades à espera de melhores condições.
No caso do Burley, a elevada oferta, as incertezas do mercado internacional e questões tarifárias relacionadas às exportações para os Estados Unidos contribuíram para uma postura mais seletiva das empresas.
A Afubra e as Federações da Agricultura e dos Trabalhadores Rurais dos três estados acompanharam a comercialização nas unidades de compra das empresas fumageiras.
As dificuldades também provocaram mobilizações de produtores. A principal ocorreu em 25 de maio, em Santa Cruz do Sul, reunindo fumicultores, lideranças sindicais e entidades representativas.
Preço e receita caíram
O preço médio do tabaco produzido no Sul ficou em R$ 18,07 por quilo, queda de 10,8% em relação aos R$ 20,25 registrados na safra anterior.
Por tipo, os preços médios foram de R$ 18,45/kg para o Virgínia, R$ 14,91/kg para o Burley e R$ 13,05/kg para o Comum.
Com isso, a receita bruta dos produtores sul-brasileiros chegou a R$ 12,835 bilhões, redução de 11,9% frente aos R$ 14,575 bilhões do ciclo anterior.
O Rio Grande do Sul respondeu por R$ 5,071 bilhões, Santa Catarina por R$ 4,104 bilhões e o Paraná por R$ 3,659 bilhões.
Para Drescher, a redução da produção foi pequena, mas a queda nos preços teve impacto direto na renda dos produtores.
Atenção para a próxima safra
A safra 2026/2027 começa em um cenário que exige cautela. A expectativa é de que, em muitas regiões, a área plantada permaneça em patamar semelhante ao ciclo anterior.
A instabilidade em outras atividades agropecuárias, como grãos e leite, também contribui para a manutenção do interesse pelo cultivo do tabaco.
A Afubra recomenda que os produtores considerem fatores como capacidade de cura, mão de obra, custos de produção, condições climáticas e comportamento do mercado antes de definir o tamanho da lavoura.
A estimativa inicial da produção da safra 2026/2027 será finalizada pela entidade em novembro. O cálculo considera os produtores inscritos no Sistema Mutualista, além de estimativas referentes aos não inscritos e às diferenças entre a quantidade cadastrada e efetivamente plantada.
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