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Sexta-feira, 15 de Maio de 2026
Morre Orlando Pretto, o padre que enfrentou a segregação racial no interior de Rio Pardo

Vale do Rio Pardo

Morre Orlando Pretto, o padre que enfrentou a segregação racial no interior de Rio Pardo

Sacerdote faleceu aos 89 anos deixando um legado religioso, social e comunitário

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A Diocese de Santa Cruz do Sul confirmou nesta sexta-feira, 15, o falecimento do padre Orlando Francisco Pretto, aos 89 anos, no Hospital Santa Cruz. Reconhecido pela longa trajetória religiosa e pela proximidade com a comunidade, o sacerdote também ficou marcado em Rio Pardo por enfrentar a segregação racial existente no interior do município durante as décadas de 1960 e 1970.

Natural de Arroio do Meio, atualmente município de Travesseiro, no Vale do Taquari, padre Orlando nasceu em 25 de julho de 1936. Foi ordenado sacerdote em 1962 e iniciou o trabalho pastoral no ano seguinte, atuando como auxiliar na Catedral São João Batista, em Santa Cruz do Sul.

Ao longo da vida religiosa, passou por diversas paróquias da Diocese, incluindo a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Rio Pardo, onde atuou entre 1967 e 1988. Também trabalhou na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Bairro Bom Jesus, e permaneceu por mais de duas décadas como pároco da Catedral de Santa Cruz do Sul.

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Além da atuação religiosa, uma das passagens mais lembradas de sua trajetória ocorreu na comunidade de Rincão dos Pretos, no interior de Rio Pardo, na localidade hoje conhecida como Arroio das Pedras, a cerca de 20 quilômetros da cidade.

Na época, negros e brancos frequentavam igrejas separadas. Havia dois templos lado a lado: a Capela Nossa Senhora Imaculada Conceição da Bela Cruz, frequentada pela comunidade negra, e a igreja da Imaculada Conceição, utilizada pelos brancos. Segundo relatos do próprio padre Orlando, existia até mesmo uma cerca dividindo os espaços.

Incomodado com a situação, o sacerdote passou a buscar alternativas para superar a segregação racial na comunidade. Inicialmente, pensou na construção de uma igreja única às margens da estrada para Cachoeira do Sul, mas antes decidiu consultar o historiador Décio Freitas (1922–2004), referência nos estudos sobre a questão racial no Rio Grande do Sul.

Conforme o entendimento do historiador, a criação de um terceiro templo poderia fazer com que a comunidade negra perdesse parte de sua identidade e de sua história. A ideia acabou abandonada, mas padre Orlando manteve o compromisso de combater a separação racial e promover maior integração entre os moradores.

O sacerdote também teve atuação além da religião. Apaixonado por literatura, história e futebol, mantinha forte ligação com o Esporte Clube Avenida, participando de atividades junto ao clube. 

Em nota oficial, a Diocese destacou a dedicação de padre Orlando ao serviço da Igreja e da comunidade. “Unidos na fé e na esperança da ressurreição, elevamos nossas preces pelo descanso eterno de Pe. Orlando e pedimos consolo aos familiares, amigos e a todo o povo de Deus que com ele conviveu”, manifestou a instituição.

Despedida

O velório ocorre nesta sexta-feira, 15, na Capela da Funerária Halmenschlager, no Centro de Santa Cruz do Sul, das 16h às 22h.

No sábado, 16, a despedida será na Catedral São João Batista, das 8h às 10h, seguida pela Missa de Exéquias, às 10h. O sepultamento ocorrerá no Cemitério da Casa Amparo Fraterno.

FONTE/CRÉDITOS: Live Portal
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Reprodução (Grupo A HORA)
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