O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, uma das principais lideranças nacionais do seu antigo partido, o PSDB, trocou de sigla no último mês de maio. Depois de 24 anos filiado aos "tucanos", Leite assinou com o PSD. O anúncio foi feito pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. O gaúcho também assume a presidência da legenda no Rio Grande do Sul, e se tornou um dos nomes fortes do PSD para concorrer à presidência da república.
Mas a saída de Eduardo Leite do PSDB também está relacionada com o "enfraquecimento" do partido, que já polarizou a política nacional com o PT, chegando, inclusive, à presidência da república com Fernando Henrique Cardoso. Por isso, o partido articula uma fusão já há alguns meses. Chegou a estar acertado com o Podemos, mas a intenção de assumir a presidência nacional da nova sigla que seria criada com a fusão entre os dois partidos pelos próximos quatro anos, foi rejeitada pelo PSDB. A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, e o Pastor Everaldo, também membro da direção do partido, se reuniram com o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, e com o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), para apresentar oficialmente a proposta de liderar o novo partido.
Os tucanos, no entanto, sugeriram uma presidência em sistema de rodízio, com alternância a cada seis meses inicialmente, e posteriormente, a cada ano. A proposta não foi bem recebida pelo Podemos, levando as duas legendas a encerrar as tratativas.
Atualmente, PSDB e Podemos possuem bancadas de tamanho semelhante no Congresso. Na Câmara dos Deputados, o PSDB conta com 13 parlamentares e o Podemos com 15. No Senado, são três senadores tucanos e quatro do Podemos.
Diante desse cenário, o PSDB passou a priorizar a construção de uma federação partidária. Diferente da fusão, a federação permite união por um período mínimo de quatro anos, mantendo a autonomia e estrutura interna de cada legenda, embora exija alinhamento nas eleições e votações no Congresso.
Essa união em formato de federação também permite a soma dos votos para deputado federal entre os partidos participantes, ajudando a cumprir a cláusula de desempenho, que define acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral.
Atualmente, o PSDB integra uma federação com o Cidadania, mas a parceria será desfeita no início de 2026 por divergências regionais. Agora, os tucanos avaliam a formação de uma nova federação com legendas como Republicanos, MDB, Solidariedade e até o próprio Podemos — opção que exigiria menos disputas pelo controle da estrutura partidária.
PANTANO e RIO PARDO
Com as indefinições do PSDB, outros dois "tucanos" devem seguir do caminho do governador Eduardo Leite. Em contato com a reportagem do Live Portal, o prefeito de Pantano Grande, Mano Paganotto, disse que sua filiação ao PSD é uma consequência natural da sua relação com o governador do Estado e a instabilidade do PSDB. Já o vice-prefeito de Rio Pardo, Alceu Seehaber, explica que deve definir sua situação nos próximos dias. Alceu deve manter uma reunião com a executiva municipal do PSD, e o único vereador do partido no parlamento rio-pardense, Artur Franco.