A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco do Rio Grande do Sul realizou, na quarta-feira (28), uma reunião por videoconferência para avaliar os resultados da safra 2025/2026 e as perspectivas para o ciclo 2026/2027. O encontro, convocado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), também abordou as exportações e os prejuízos provocados pelo granizo nas lavouras.
Produção e preços em queda
O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcilio Drescher, apresentou os números finais da última safra. No Rio Grande do Sul, a produção foi de 286.603 toneladas, uma redução de 5,5% em relação ao ciclo anterior.
O preço médio recebido pelos produtores gaúchos também caiu, passando de R$ 20,45 para R$ 17,69 por quilo, uma retração de 13,5%.
Nos três estados do Sul, a produção totalizou 710.229 toneladas, volume 1,3% inferior ao registrado na safra anterior.
Segundo o coordenador da Câmara Setorial e vice-presidente da Afubra, Romeu Schneider, os dados atualizam as informações da Seapi após o encerramento da comercialização. Na reunião, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) também apresentou os números das exportações brasileiras entre janeiro e setembro de 2026, comparados ao mesmo período de 2025.
Granizo atinge mais produtores
Um dos principais pontos de preocupação é o aumento dos danos provocados pelo granizo na safra 2026/2027.
“Este ano está bem mais intenso do que nas últimas safras. Em virtude do El Niño, está caindo muito mais granizo e hoje nós temos algo em torno de 150% mais produtores atingidos com prejuízos do que tínhamos na safra passada”, destacou Schneider, com base nos levantamentos da Afubra.
Excesso de chuva preocupa
Além do granizo, o excesso de chuva e de umidade tem prejudicado o desenvolvimento das plantas em diferentes regiões produtoras. Há relatos de crescimento abaixo do esperado e ocorrência de murchadeira.
“Se continuar o El Niño da forma como está acontecendo até agora, certamente o tabaco terá um peso bem menor, porque as folhas são mais finas”, alertou o coordenador.
Apesar das preocupações, ainda é cedo para calcular possíveis perdas na produção. Em algumas regiões do Sul do Brasil, o transplante das mudas ainda não foi concluído. A Afubra prevê finalizar, na segunda quinzena de novembro, as estimativas iniciais de produção para a safra 2026/2027.
Homenagem aos produtores
Ao final do encontro, os participantes destacaram o Dia Mundial do Produtor de Tabaco, celebrado em 28 de outubro, com uma homenagem às famílias produtoras.
Também foi lembrada a Abertura Oficial da Colheita do Tabaco no Rio Grande do Sul, marcada para o dia 6 de novembro.
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