Rio Pardo vive, em 2026, um momento histórico para o tradicionalismo. A cidade foi palco do Acendimento da Chama Crioula Estadual e, agora, em setembro, respira novamente o espírito dos Festejos Farroupilhas.
Mas antes dos grandes eventos, das estruturas e dos holofotes, havia homens que, ano após ano, mantinham viva a tradição.
Um deles é Sinato Alves Soares.
Aos 87 anos, ele é uma lenda viva do tradicionalismo rio-pardense e, especialmente, da história do Acendimento da Chama Crioula Municipal.
Por muitos anos, Sinato dividiu essa missão com dois nomes que também deixaram sua marca na história tradicionalista da cidade: os saudosos Darci Silva e Fredolino Teixeira.
Era uma época em que o acendimento tinha um caráter ainda mais rústico. A chama surgia da pedra, pelas mãos de homens que entendiam que preservar a tradição era, acima de tudo, um compromisso.
E Sinato cumpriu esse compromisso por décadas.
Uma vida pela tradição
Nascido em 12 de novembro de 1938, em Arroio do Só, no 5º Distrito de Santa Maria, Sinato cresceu aprendendo com o pai, Amândio, as lidas do campo e os ensinamentos da terra.
Em 1969, participou do processo de instalação da Brigada Militar em Rio Pardo. A cidade que inicialmente o recebeu pelo trabalho acabou se tornando sua casa, onde construiu sua família ao lado da esposa, Geni, e das três filhas.
Em 1981, iniciou uma das etapas mais importantes de sua trajetória: ingressou na patronagem do CTG Rodeio da Saudade.
Foi Patrão por duas oportunidades, participou de congressos tradicionalistas e esteve por cerca de 40 anos envolvido diretamente com o movimento. Também foi cofundador do Piquete Aporreados da Fortaleza.
Em 2003, recebeu da Câmara Municipal o Título de Cidadão Honorário de Rio Pardo, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à comunidade.
A tradição continua
Em 2022, Sinato deixou de atuar fisicamente nas entidades tradicionalistas como fazia antes. O tempo havia chegado, mas não levou dele aquilo que talvez seja sua maior característica: a paixão pela tradição.
Hoje, segue lúcido, presente e acompanhando de perto o Acampamento Farroupilha.
E é fácil encontrá-lo por lá.
Entre um churrasco, um carreteiro, uma rodada de carteado e uma boa música gaúcha, Sinato continua fazendo aquilo que fez durante toda a vida: vivendo o tradicionalismo.
Ele frequenta o galpão do Piquete Mal Parido, onde seu neto é associado, e acabou se tornando quase um “caseiro” do espaço.
Ali, entre os quase 20 associados do Piquete, Sinato é mais do que um frequentador.
É referência.
É aquele que tem história para contar, experiência para compartilhar e, principalmente, uma vida inteira para mostrar aos mais jovens que tradição não é apenas vestir a pilcha em setembro.
É viver.
Uma chama que permanece
Neste setembro em que Rio Pardo celebra sua tradição depois de protagonizar o Acendimento da Chama Crioula Estadual, lembrar de Sinato é lembrar de uma parte fundamental dessa história.
É olhar para a chama que hoje reúne multidões e lembrar daqueles que, durante décadas, ajudaram a mantê-la acesa quando tudo era mais simples, mais rústico e feito pelas próprias mãos.
Sinato Alves Soares é uma lenda viva do tradicionalismo.
Um dos homens que ajudaram a acender a chama de Rio Pardo, ao lado de Darci Silva e Fredolino Teixeira.
Uma chama que nasceu da pedra.
Que atravessou gerações.
E que, aos 87 anos, Sinato ainda acompanha de perto.
Porque algumas pessoas deixam saudade.
Outras deixam história.
E existem aquelas que continuam fazendo parte dela.
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